Às vezes eu me pergunto por que ainda continuo fazendo isso.
Sério.
Porque ter uma banda autoral independente no Brasil é cansativo pra caralho.
É sair do trabalho exausto e ainda ir ensaiar. É gastar dinheiro que você não tem em corda, prato, cabo, gravação, gasolina, arte de divulgação. É passar meses criando uma música pra ela ter 83 reproduções. É tocar pra pouca gente e, mesmo assim, desmontar equipamento às 2 da manhã pensando no horário do dia seguinte.
Tem momentos em que parece que o mundo inteiro quer que você desista.
E talvez o mais difícil nem seja a falta de retorno. Acho que é o silêncio. A sensação de estar colocando pedaços da própria vida em músicas que às vezes parecem atravessar o vazio.
Mas, mesmo assim… ainda existe alguma coisa aqui.
Porque tem dias em que uma letra encaixa exatamente no sentimento que eu não conseguia explicar. Tem ensaio que vira terapia. Tem show pequeno que parece gigante. Tem alguém desconhecido que manda mensagem dizendo que ouviu uma música nossa num momento difícil — e isso muda tudo por alguns minutos.
A verdade é que a música nunca foi só sobre “dar certo”.
Ela virou um jeito de sobreviver emocionalmente ao tempo, às frustrações, ao medo de virar adulto e abandonar tudo aquilo que fazia a vida parecer mais viva. Talvez manter a banda seja justamente uma tentativa de não deixar morrer uma parte da gente.
E eu acho bonito isso.
Bonito continuar tentando mesmo sem garantia nenhuma.
Bonito envelhecer sem abandonar completamente os sonhos que fizeram sentido um dia.
Bonito encontrar pessoas que continuam acreditando junto.
A LIMO já passou por mudanças, pausas, dúvidas e recomeços. E provavelmente ainda vai passar por mais um monte de coisa. Mas enquanto existir vontade de criar, de sentir e de transformar bagunça em música, acho que vale continuar.
Nem sempre com certeza.
Nem sempre com esperança.
Mas continuar, mesmo assim.

